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A Mão dos Deuses – O Primeiro Rei é um romance de fantasia épica que aborda temas comuns à natureza humana, tais como as origens do bem e do mal, o significado último da vida e a transição da infância à idade adulta, tendo como plano de fundo um mundo remoto, Elmurya. Simultaneamente paradisíaco e encantador, obscuro e assustador onde seres angelicais e feéricos se debatem perante monstros e demónios que se agitam na penumbra, os filhos das sombras. Tudo pode acontecer! - Obra sujeita a direitos de autor.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Tubarão - cobra
O que é que faz do tubarão-cobra um animal recordista?

Habituado a viver em profundidades entre os 600 e os 1000 metros, este espectacular animal raramente é avistado pelos humanos. Tanto melhor para este, porque beleza não será certamente um dos atributos deste predador.

Todavia, o que destingue este peixe de todos os seres vivos é que a sua espécie é a que tem um periodo de gestação mais longo. Dar à luz um destes pequenos monstros pode obrigar a progenitora a uma gravidez de 3 anos e meio. Considerado um fóssil vivo, tendo já sido encontrados esqueletos com 80 milhões de anos a comprová-lo, este vive junto à costa portuguesa, no entanto muito raramente é avistado.
Fonte: Suplemento de Domingo Correio da manhã edição nº11728

Habituado a viver em profundidades entre os 600 e os 1000 metros, este espectacular animal raramente é avistado pelos humanos. Tanto melhor para este, porque beleza não será certamente um dos atributos deste predador.

Todavia, o que destingue este peixe de todos os seres vivos é que a sua espécie é a que tem um periodo de gestação mais longo. Dar à luz um destes pequenos monstros pode obrigar a progenitora a uma gravidez de 3 anos e meio. Considerado um fóssil vivo, tendo já sido encontrados esqueletos com 80 milhões de anos a comprová-lo, este vive junto à costa portuguesa, no entanto muito raramente é avistado.
Fonte: Suplemento de Domingo Correio da manhã edição nº11728
Etiquetas:
tubarão-cobra um animal recordista
A árvore de Portugal
As associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza pretendem classificar o sobreiro como a Árvore Nacional de Portugal.
Fonte: Suplemento de Domingo Correio da manhã edição nº11728
Povos antigos
Os callaeci

Sábios na adivinhação pelas entranhas, penas,
e chamas, mandou a rica Galécia seus jovens,
que agora ululam as canções bárbaras de sua língua,
pisoteando a terra batida, a pés alternados,
e acompanhando o feliz número com os seus escudos ressoantes.
(Em o épico Punica, por Sílio Itálico, século I d.C.)

Os galaicos (callaeci ou gallaeci, em latim e kallaikoi em grego), também conhecidos por calaicos, eram um conjunto de tribos celtas (Aidwoi, Albioni, Arronioi, Baniensses, Brassioi, Brigantini, Cilenos, Koukoi, Límios, Nerioi, Sewroroi, Túrodes, Artabroi, Zoelae, Abobrigoi, Artodioi, Bracaroi, Ekwesioi, Interammikoi e Kalaikoi) que habitavam o noroeste da península Ibérica, região que corresponde hoje em dia ao espaço geográfico que abrange o norte de Portugal, a Galiza, as Astúrias e parte de Leão. Sem duvida alguma o povo que ocupou território hoje português que mais vestigios deixou para a posterioridade. Através destes entendemos a forte ligação dos povos ibéricos com a cultura celta.

Os seus povoamentos designados por castros eram povoados fortificados situados num lugar estratégico para facilitar a defesa da população. Tinham também que dispôr de acesso fácil a recursos alimentícios e água, pelo que se situavam habitualmente entre a zona de montes e prados e a de bosque e cultivos. Existiram castros de muitos tamanhos e tipos; entre estes destacam-se os da costa e os do interior.
As plantas destes assentamentos são redondas: mais ou menos circulares ou ovaladas. No seu interior as construções, nas quais também dominam as formas circulares ou elípticas, distribuem-se sem ordem aparente, ainda que é possível que existisse algum tipo de organização e que os agrupamentos respondessem a algum tipo de função que se desconheça hoje.
Ainda que não se sabe exactamente o seu número; a quantidade total, para todo o território do noroeste, devia rondar os 4000 ou 5000, o que indica uma elevada densidade de povoação para a época.
"Durante dois terços do ano, os castrejos alimentam-se de bolotas, que secam e trituram e, depois, moem para fazer pão, que conservam por muito tempo."

Dos galaicos sabe-se que trabalhavam o ouro, o ferro, o bronze e o barro.
Os povos castrejos (já conhecidos pelos Gregos com o nome de "Kallaikoi", ou seja, Galaicos) foram definitivamente derrotados pelos Romanos no ano 19 a.C., invadidos desde a Lusitânia pelas tropas de Décimo Júnio Bruto, o Galaico. As teorias mais divulgadas falam da origem do seu nome como sendo dado pelos romanos por terem sido a primeira tribo que enfrentaram, na zona de Cale e, pela sua braveza e espírito guerreiro, viu estendida a sua designação às outras tribos galaicas do Noroeste Peninsular. Outra teoria tem vindo a ganhar aceitação, nos tempos mais actuais. Esta relaciona os Callaeci com Cailleach, a deusa-Mãe dos Celtas, por estes serem adoradores desta divindade
Religião

Embora pouco se conheça sobre as suas práticas relegiosas, se tinham alguma classe sacerdotial ou não, o certo é que o símblo abaixo era uma precensa constante em toda esta cultura. O trisquel é e era um simblo mágico com três braços girando em sentido contrário aos ponteiros dos relógios que simbolizava a continuidade da vida e do crescimento espiritual, o fluir constante do processo natural com um triplo significado místico entre os povos celtas que unia o fisico, o mental e o espiritual, sendo o três um número mágico para eles e origem do que posteriormente o cristianismo adoptaria como "Santíssima Trindade": Um só deus com três formas.

Os seus principais Deuses
BANDUA (BANDUE, BANDUJE) – Este seu carácter de Deus masculino, é o protector dos territórios e das localidades. Ele é quem ordena e faz por cumprir as leis tradicionais estabelecidas.
BANDOGA (BANDONGA) - É uma divindade importante no norte da Lusitânia. É o carácter feminino da divindade, é a protectora da tribo e da família, quem ordena e faz as leis.
BANDERAEICUS - É uma outra adoração do deus Bandua.
BANDIOILENAICO - É uma outra manifestação do deus Bandue no norte da Lusitânia.
BANDUEAETOBRIGUS - É mais uma outra natureza do Deus Bandue.
BANDUS (BANDI, BANDE, BANDA, BAND) – É uma divindade importante venerada pelas tribos da federação Galaica no norte da Lusitânia. É esta divindade quem ordena e faz as leis.
NABIA (NABICA, NAVIA, NABIAE) – Deusa mais importante no norte da Lusitânia. É uma Deusa fertilizadora da natureza, das águas, fontes e rios, assim como dos bosques. Está casada com o Deus Coronus.
REVA (REUA)– É uma manifestação feminina do deus REVE. O seu carácter Feminino é Reua, o seu carácter masculino é Reue. Tanto personifica a Mãe deusa da vida e da morte como protege os homens e é o protector dos mundos.
REVE (REUE, RAUUE, REUS)– É a divindade mais importante de todo o Panteão supranacional Galaico-Lusitano original. Ele personifica, como o Grande Espírito masculino da Natureza que protege os homens e os mundos.
CORONO (CORONUS)– Deus cornudo coroado nos mundos subterrâneos, está ligado à guerra e à morte. É o esposo da Deusa Navia. Adorado pelos Calaicos.
Outros Deuses
AERNO (AERNUS)– Deus poderoso do norte da Lusitânia. É o Deus do Tempo e das Tempestades e principalmente é o Senhor dos ventos do norte.
BORMANICO (BORMO, BORMANICUS) – Deus tutelar das águas termais. Está ligado às águas, ao dilúvio, à catástrofe e à morte. As águas possuem a virtude da purificação, do renascimento e da revelação. É uma divindade do oceano primordial e era adorado perto de Guimarães.
CUSUNENEAECUS (CUSUNENEOECUS) - Deus guerreiro venerado pelos Calaicos.
TAMEOBRIGO (TAMEOBRIGUS) – Deus poderoso, protector dos doentes e acompanhante dos defundos. Também é adorado como um Deus guerreiro da guerra, da caça e das florestas dos Calaicos.
TONGOENABIAGO (TONGE, TONGO, TONGENABIAGO, TONGOENABIACO, TONGAE, TONGOENABIAGUS, TONGOE NABIAGOI) – Deus dos Brácaros Calaicos, aquático das fontes e dos juramentos que se faziam a ele junto das fontes da sua invocação. É também um Deus fertilizador.
TURIACO (TURIACUS, TURIAGO, COSUS TURIACUS)– Deus muito poderoso venerado no norte da Lusitânia pela tribo dos Gróvios Calaicos. É o Deus do Poder, é o Senhor da Guerra e o Rei do seu Povo adorador.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Galaicos
http://revvane.com.sapo.pt/panteaodeus.html
Fotos: Retiradas da Net

Sábios na adivinhação pelas entranhas, penas,
e chamas, mandou a rica Galécia seus jovens,
que agora ululam as canções bárbaras de sua língua,
pisoteando a terra batida, a pés alternados,
e acompanhando o feliz número com os seus escudos ressoantes.
(Em o épico Punica, por Sílio Itálico, século I d.C.)

Os galaicos (callaeci ou gallaeci, em latim e kallaikoi em grego), também conhecidos por calaicos, eram um conjunto de tribos celtas (Aidwoi, Albioni, Arronioi, Baniensses, Brassioi, Brigantini, Cilenos, Koukoi, Límios, Nerioi, Sewroroi, Túrodes, Artabroi, Zoelae, Abobrigoi, Artodioi, Bracaroi, Ekwesioi, Interammikoi e Kalaikoi) que habitavam o noroeste da península Ibérica, região que corresponde hoje em dia ao espaço geográfico que abrange o norte de Portugal, a Galiza, as Astúrias e parte de Leão. Sem duvida alguma o povo que ocupou território hoje português que mais vestigios deixou para a posterioridade. Através destes entendemos a forte ligação dos povos ibéricos com a cultura celta.

Os seus povoamentos designados por castros eram povoados fortificados situados num lugar estratégico para facilitar a defesa da população. Tinham também que dispôr de acesso fácil a recursos alimentícios e água, pelo que se situavam habitualmente entre a zona de montes e prados e a de bosque e cultivos. Existiram castros de muitos tamanhos e tipos; entre estes destacam-se os da costa e os do interior.
As plantas destes assentamentos são redondas: mais ou menos circulares ou ovaladas. No seu interior as construções, nas quais também dominam as formas circulares ou elípticas, distribuem-se sem ordem aparente, ainda que é possível que existisse algum tipo de organização e que os agrupamentos respondessem a algum tipo de função que se desconheça hoje.
Ainda que não se sabe exactamente o seu número; a quantidade total, para todo o território do noroeste, devia rondar os 4000 ou 5000, o que indica uma elevada densidade de povoação para a época.
"Durante dois terços do ano, os castrejos alimentam-se de bolotas, que secam e trituram e, depois, moem para fazer pão, que conservam por muito tempo."

Dos galaicos sabe-se que trabalhavam o ouro, o ferro, o bronze e o barro.
Os povos castrejos (já conhecidos pelos Gregos com o nome de "Kallaikoi", ou seja, Galaicos) foram definitivamente derrotados pelos Romanos no ano 19 a.C., invadidos desde a Lusitânia pelas tropas de Décimo Júnio Bruto, o Galaico. As teorias mais divulgadas falam da origem do seu nome como sendo dado pelos romanos por terem sido a primeira tribo que enfrentaram, na zona de Cale e, pela sua braveza e espírito guerreiro, viu estendida a sua designação às outras tribos galaicas do Noroeste Peninsular. Outra teoria tem vindo a ganhar aceitação, nos tempos mais actuais. Esta relaciona os Callaeci com Cailleach, a deusa-Mãe dos Celtas, por estes serem adoradores desta divindade
Religião

Embora pouco se conheça sobre as suas práticas relegiosas, se tinham alguma classe sacerdotial ou não, o certo é que o símblo abaixo era uma precensa constante em toda esta cultura. O trisquel é e era um simblo mágico com três braços girando em sentido contrário aos ponteiros dos relógios que simbolizava a continuidade da vida e do crescimento espiritual, o fluir constante do processo natural com um triplo significado místico entre os povos celtas que unia o fisico, o mental e o espiritual, sendo o três um número mágico para eles e origem do que posteriormente o cristianismo adoptaria como "Santíssima Trindade": Um só deus com três formas.

Os seus principais Deuses
BANDUA (BANDUE, BANDUJE) – Este seu carácter de Deus masculino, é o protector dos territórios e das localidades. Ele é quem ordena e faz por cumprir as leis tradicionais estabelecidas.
BANDOGA (BANDONGA) - É uma divindade importante no norte da Lusitânia. É o carácter feminino da divindade, é a protectora da tribo e da família, quem ordena e faz as leis.
BANDERAEICUS - É uma outra adoração do deus Bandua.
BANDIOILENAICO - É uma outra manifestação do deus Bandue no norte da Lusitânia.
BANDUEAETOBRIGUS - É mais uma outra natureza do Deus Bandue.
BANDUS (BANDI, BANDE, BANDA, BAND) – É uma divindade importante venerada pelas tribos da federação Galaica no norte da Lusitânia. É esta divindade quem ordena e faz as leis.
NABIA (NABICA, NAVIA, NABIAE) – Deusa mais importante no norte da Lusitânia. É uma Deusa fertilizadora da natureza, das águas, fontes e rios, assim como dos bosques. Está casada com o Deus Coronus.
REVA (REUA)– É uma manifestação feminina do deus REVE. O seu carácter Feminino é Reua, o seu carácter masculino é Reue. Tanto personifica a Mãe deusa da vida e da morte como protege os homens e é o protector dos mundos.
REVE (REUE, RAUUE, REUS)– É a divindade mais importante de todo o Panteão supranacional Galaico-Lusitano original. Ele personifica, como o Grande Espírito masculino da Natureza que protege os homens e os mundos.
CORONO (CORONUS)– Deus cornudo coroado nos mundos subterrâneos, está ligado à guerra e à morte. É o esposo da Deusa Navia. Adorado pelos Calaicos.
Outros Deuses
AERNO (AERNUS)– Deus poderoso do norte da Lusitânia. É o Deus do Tempo e das Tempestades e principalmente é o Senhor dos ventos do norte.
BORMANICO (BORMO, BORMANICUS) – Deus tutelar das águas termais. Está ligado às águas, ao dilúvio, à catástrofe e à morte. As águas possuem a virtude da purificação, do renascimento e da revelação. É uma divindade do oceano primordial e era adorado perto de Guimarães.
CUSUNENEAECUS (CUSUNENEOECUS) - Deus guerreiro venerado pelos Calaicos.
TAMEOBRIGO (TAMEOBRIGUS) – Deus poderoso, protector dos doentes e acompanhante dos defundos. Também é adorado como um Deus guerreiro da guerra, da caça e das florestas dos Calaicos.
TONGOENABIAGO (TONGE, TONGO, TONGENABIAGO, TONGOENABIACO, TONGAE, TONGOENABIAGUS, TONGOE NABIAGOI) – Deus dos Brácaros Calaicos, aquático das fontes e dos juramentos que se faziam a ele junto das fontes da sua invocação. É também um Deus fertilizador.
TURIACO (TURIACUS, TURIAGO, COSUS TURIACUS)– Deus muito poderoso venerado no norte da Lusitânia pela tribo dos Gróvios Calaicos. É o Deus do Poder, é o Senhor da Guerra e o Rei do seu Povo adorador.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Galaicos
http://revvane.com.sapo.pt/panteaodeus.html
Fotos: Retiradas da Net
O libertador 2ª parte
(Conto alegórico e hilariante que relata a vida de um jovem rapaz nascido nos finais do século passado.)
O primeiro dia de escola foi para Jesus um tormento. Aquela criança intangível e iluminada, que estava longe de esquecer o lugar de onde viera e ao qual pertencia, teve uma primeira infância santa, distante dos muitos horrores deste mundo, apadrinhada pelos seus pais e restante família, através do seu amor incondicional. O quintal lá de casa, o estádio da luz, os jardins lá do bairro e as praias da linha às quais ia com a família aos domingos, eram os seus lugares sagrados. O menino era um rei dos céus, isto até aquele dia fatídico em que tudo mudou na sua vida.
Decorria o quarto ano da década de oitenta. Um período bastante marcante para a história do século XX, segundo o ponto de visto dos acontecimentos políticos e sociais. O qual, segundo muitos, marca o fim da idade industrial e dá início à idade da informação. No mundo, o atentado contra o Papa João Paulo II, a eleição de Ronald Reagan nos Estados Unidos da América e de Margaret Thatcher no Reino Unido marcaram todo este período, traçando a política neoliberal que hoje é apanágio da maioria dos países capitalistas. Popularizaram-se os computadores pessoais, os famosos PCs, os walkmans e as videocassetes. Michael Jackson assusta o mundo com Thriller, o álbum mais vendido da história.
Por cá, no nosso pequeno Portugal, eram os grandes que desfrutavam do sol do país, assim como das suas riquezas naturais. Vestiam e comiam bem, deslocando-se em brutos carros, enquanto o povo enganado acorria às grandes superfícies comerciais, imponentes estruturas de betão que surgiam por toda a parte quer fosse em reservas naturais, quer fosse nos descampados onde outrora as crianças brincavam, em busca das maravilhas tecnológicas que sabiam existir através das hipnóticas fitas de Hollywood, esquecendo assim a palavra de ordem; “Estamos em crise!”. Houve quem gritasse bem alto, alertando para o que aí viria, mas os seus gritos soaram mudos às gentes portuguesas.
Lá no bairro o mais falado e admirado era aquele que tinha um bom transístor, com o qual reunia toda a vizinhança aos domingos, a fim de escutar os relatos de futebol. Quando já todos tinham um, de ultimo modelo, o mais célebre já era aquele que possuía uma televisão. E, quando já todos tinham uma, a criatura mais admirada era aquela que se deslocava de automóvel para o emprego, e com o qual durante o fim-de-semana levava toda a família a passear à terra. Não querendo perder o comboio da evolução, José Bonifácio, depois de tirar a carta de condução à quinta tentativa, assaltou as suas economias e adquiriu um volkswagen carocha, já com mais de dez anos de existência, o menino dos seus olhos.
Era um grande dia para a família Bonifácio, Jesus ia entrar para a escola para poder vir a ter um futuro brilhante, e José teria agora a sua grande oportunidade de exibir a sua nova aquisição, pelo bairro inteiro. Maria acordou o filho muito mais cedo do que o habitual, “Acorda filhote, hoje é o teu grande dia, aquele em que vais fazer parte deste mundo”. Jesus acordou e fitou a mãe, ainda estremunhado e de olhos esbugalhados, “ Porque me acordaste, mamã, ainda não há sol?” perguntou, madraço. “Para onde é que a mãe te disse, ontem, que tu ias?”, Jesus nada respondeu, limitando-se a olhar para a mãe pasmadamente. “Vais para a escola, aprenderes a ler e a escrever para vires a ser um grande homem!”
Triste, por saber que iria ter um dia diferente, deixando para trás as suas expedições pelo quintal lá de casa, longe de tudo o que tão bem conhecia, Jesus, lá se levantou contrariado, tropeçando nos brinquedos que estavam espalhados pelo chão do seu quarto. Maria vestiu o filho num abrir e fechar de olhos, levando-o de seguida para a cozinha, onde umas aloiradas torradas besuntadas de manteiga e um copo de leite quente o aguardavam. “ Jesus credo!”, exclamou Maria ao escutar a estridente buzina do carocha de José. “O que foi que eu fiz?” perguntou Jesus abismado e assustado pelo barulho ensurdecedor, “Não era para ti meu filho, estava-me a referir ao outro Jesus das nossas vidas, o nosso senhor do céu”, explicou confusa. “Não conheço o senhor, quem é?”, perguntou o menino, na inocência dos seus seis anos. “Deixa para lá, hás-de aprender isso na escola, agora despacha-te que o teu pai está à nossa espera, para te levar à escola.
Enquanto aguardava pela mulher e pelo filho, agarrado ao volante do seu estimado automóvel, estando este a queimar gasolina, José, grandemente embevecido respondia às perguntas da multidão de curiosos que se acercara de si, escutando também alguns comentários, uns agradáveis, outros não tanto; “Quantos quilómetros dá?”. “Gasta muito?”. “O teu é melhor de que o meu!”. “O meu bate este à distância!”. Entretanto Maria surgiu à janela, “Espera que já estamos quase despachados, o menino só está à acabar de comer”, José voltou a buzinar e disse: “Ele que coma pelo caminho, que daqui a menos de uma hora tenho que ter a oficina aberta!”. Maria colocou, nas costas da criança, a mochilinha que havia comprado no dia anterior com imenso carinho e arrastando o filho consigo saiu porta fora,”Ainda não acabei de comer!” queixou-se Jesus, “Anda vá, comes pelo caminho”.
Não querendo parecer uma desmazelada perante as futuras preceptoras de Jesus, Maria, aperaltou-se conforme as circunstâncias assim o exigiam, pintando os lábios e vestindo uma bonita saia de padrão axadrezado, que lhe dava pelos joelhos. Ao vê-la, as atenções da vizinhança, as quais estavam centradas no carocha de Bonifácio, dispersaram-se deste e centraram-se em si. “É lá!”, grunhiu um engraçadinho qualquer. “Parece ela que vai à igreja”, sibilou a Dona Adelaide aos ouvidos da Dona Gertrudes, que por sua vez disse: “Não queres uma florzinha para pôr no cabelo, filha?”. Antes que alguém dissesse o que não devesse, José voltou a buzinar, agora com impetuosidade, fazendo com que todos dessem um salto e desviassem o olhar na sua direcção. A deixa perfeita para que Maria e a criança entrassem na viatura. Uma vez dentro do automóvel, José fez o motor roncar e arrancou.
Maravilhado com tudo aquilo, Jesus, seguia viagem com o rosto afundado no vidro da janela, fitando com entusiasmo tudo o que surgia à sua volta. “Um dia ensino-te a conduzir, meu filho”, disse José, virando-se para trás para o olhar. “E se te preocupasses menos com isso e te concentrasses no que estas a fazer”, admoestou-o Maria, mas já tarde de mais, quando pôs de novo os olhos na estrada, José não conseguiu evitar o passeio e galgando o mesmo foi de encontro aos caixotes de peixe da Dona Etelvina, a qual costumava vender à entrada do pátio, espalhando o seu conteúdo pelo chão. “ És sempre a mesma coisa!”, exclamou Maria. “O que posso fazer por si, Dona Etelvina?” perguntou José, ao sair da viatura e depois de ter ouvido, da parte da peixeira uma medonha série de impropérios. “Já têm almoço para hoje?”, perguntou a peixeira com um sorriso cínico no rosto. “ Não, ainda não”, respondeu Maria“. “Sempre me podiam comprar algum peixe, para me minimizar os estragos”, sugeriu a mulher. Não querendo perder ali mais tempo, o casal comprou uma dúzia de sardinha, a qual fora apanhada directamente do chão para o saco. Enquanto isso, Jesus desatou a chorar, pois com o impacto havia dado um salto e batido com a fronte, nas costas do banco da frente. Procurando acalmar o filho, Maria colocou o peixe em cima do banco onde havia seguido até então e foi-se sentar ao lado do filho no banco detrás.
Com o receio de ter que fazer novamente uma paragem brusca, podendo magoar o filho, José seguiu a vinte quilómetros por hora, originando assim o primeiro buzinão da história do automóvel. Ainda não haviam descido a rua por completo, quando José se lembrou que o peixe poderia manchar o estofo do banco. Consequentemente, Maria retirou o peixe de onde estava, e ela mesmo o levou. Ao fazê-lo ficou numa posição menos imprópria, de rabo no ar, a modos que quem seguia atrás deles pôde apreciar as vistas. Ao ouvir um coro de vivas e mais buzinadelas, José, voltou a tirar os olhos da estrada para se inteirar do que se estava a passar, ao fazê-lo não se apercebeu do enorme cão que se lhe cruzou no caminho e atropelou-o. Jesus voltou a chorar e Maria saltou disparada para frente. “ E agora o que faço?” perguntou José, “ Isso é um problema que te cabe a ti, pois eu vou levar Jesus à escola, e a pé”, respondeu Maria.
Enquanto José se viu no centro de um autêntico tumulto, Maria pegou Jesus pela mão e apeada segui caminho, “Espera, já viste como estás, não podes aparecer na escola assim”, disse Bonifácio para a sua mulher, a qual furiosa o ignorou e continuou a andar, rua abaixo. “Porque não vamos com o pai?”, perguntou Jesus visivelmente confuso. “Porque é mais seguro, meu filho”, respondeu-lhe a mãe. Depois de descerem a rua, atravessaram o entroncamento e andando mais um pouco alcançaram um velho edifico, certamente erigido na primeira metade do século, de aspecto sombrio e decadente. “Eis a tua escola”, anunciou Maria. Jesus chorou de novo, sendo convencido pela mãe a entrar no edifício, só ao fim de uma hora e depois de comer dois bolos repletos de creme, comprados na pastelaria da esquina.
De novo junto à entrada do edifício, Maria tocou à campainha, a qual gerou um barulho ensurdecedor, e instantes depois tinha perante si a empregada de serviço daquela instituição, a balofa Dona Amélia, a qual trazia o seu bibe azul impregnado de nódoas e aparentava um ar extremamente enfadado, “Bom dia, minha senhora”, proferiu o mais simpaticamente que conseguiu. “Este é Jesus, já está tudo tratado com a patroa, volto às seis para o apanhar, a senhora já reparou nas nódoas que tem na bata?”, proferiu Maria. A Dona Amélia limitou-se a segurar Jesus pela mão, puxando-o para o interior do edifício e depois de esboçar um esgar de troça disse, muito educadamente: ”A senhora não tem espelhos, suponho!?”
Após desejar um bom dia ao filho, despedindo-se deste, intrigada Maria retirou o seu pequeno espelho da sua bolsa e mirou-se, não podendo, nem querendo acreditar no que via. Os seus cabelos estavam em tamanho desalinho que mais pareciam um ninho de ratos, a sua maquilhagem estava toda esborratada e a sua saia tinha uma enorme mancha de água, já para não comentar o cheiro a peixe que emanava da sua pessoa. “José Bonifácio, seu trapalhão, juro por Deus que vais estar mais de duas semanas a tentares abrir a porta de entrada”, pensou.
Depois de largar a mão de Jesus, a dona Amélia virou-se para ele e disse: ”Bem findo ao inferno!”. Longe de compreender o que lhe havia sido dito, Jesus apenas reparou na enorme verruga que a senhora tinha no queixo, após a fixar por instantes a criança olhou-a nos olhos, procurando encontrar algum conforto, mas o que viu desapontou-o. Aquela criatura horripilante sorria com desdém e o menino desatou novamente a chorar. “Bolas, mais um chorão!”, exclamou como sempre enfadada.
Instantes depois, a Dona Amélia depositou Jesus numa enorme sala fechada, cuja única janela para o exterior se encontrava trancada. O chão era pavimentado por cimento e, quatro paredes frias e húmidas delimitavam o recinto. Ali centenas de crianças gritavam histericamente, perseguindo-se umas às outras numa correria desenfreada. Jesus chorou mais uma vez. No meio de toda aquela loucura, sentadas num dos muitos bancos corridos que ali se achavam, encontrou entre todas aquelas crianças as únicas que lhe pareceram ser normais tal como ele. “Eu sou Jesus, e vocês como se chamam?”. A menina, lourinha e vesga, disse chamar-se Gloria. E o menino, gordinho e mandrião, disse chamar-se Joaquim.
Ao final do dia Maria telefonou a José, dizendo que não ia poder ir buscar o filho, pois encontrava-se no cabeleireiro e certamente ainda ia demorar. José não podendo, nem querendo fechar a oficina pediu à sua mãe, muito simpaticamente, se não se importava de ir buscar o neto à escola. “É com todo o gosto que o faço, meu filho, Jesus vai ter uma enorme surpresa”, disse a Dona Jorgete ao telefone.
Quando a porta da escola se abriu e Jesus avistou a avó Jorgete os seus olhos brilharam. E, quando a sua querida avó lhe perguntou o que havia feito naquele dia Jesus respondeu: “Hoje conheci o inferno, é um lugar frio e gélido repleto de criaturas feias e más, reneguei-o assim que lá entrei, mas para meu bem, lá também estão dois anjos que a todo o custo tentam salvar as almas perdidas. É bom saber que não estamos sós!”. A Dona Jorgete abriu a boca de pasmo, e ao fazê-lo deixou cair com aparato no chão a sua prótese dentária. Depois de colocar no seu devido lugar o objecto que havia deixado cair, disse: ”Deus te abençoe, meu filho!”
O primeiro dia de escola foi para Jesus um tormento. Aquela criança intangível e iluminada, que estava longe de esquecer o lugar de onde viera e ao qual pertencia, teve uma primeira infância santa, distante dos muitos horrores deste mundo, apadrinhada pelos seus pais e restante família, através do seu amor incondicional. O quintal lá de casa, o estádio da luz, os jardins lá do bairro e as praias da linha às quais ia com a família aos domingos, eram os seus lugares sagrados. O menino era um rei dos céus, isto até aquele dia fatídico em que tudo mudou na sua vida.
Decorria o quarto ano da década de oitenta. Um período bastante marcante para a história do século XX, segundo o ponto de visto dos acontecimentos políticos e sociais. O qual, segundo muitos, marca o fim da idade industrial e dá início à idade da informação. No mundo, o atentado contra o Papa João Paulo II, a eleição de Ronald Reagan nos Estados Unidos da América e de Margaret Thatcher no Reino Unido marcaram todo este período, traçando a política neoliberal que hoje é apanágio da maioria dos países capitalistas. Popularizaram-se os computadores pessoais, os famosos PCs, os walkmans e as videocassetes. Michael Jackson assusta o mundo com Thriller, o álbum mais vendido da história.
Por cá, no nosso pequeno Portugal, eram os grandes que desfrutavam do sol do país, assim como das suas riquezas naturais. Vestiam e comiam bem, deslocando-se em brutos carros, enquanto o povo enganado acorria às grandes superfícies comerciais, imponentes estruturas de betão que surgiam por toda a parte quer fosse em reservas naturais, quer fosse nos descampados onde outrora as crianças brincavam, em busca das maravilhas tecnológicas que sabiam existir através das hipnóticas fitas de Hollywood, esquecendo assim a palavra de ordem; “Estamos em crise!”. Houve quem gritasse bem alto, alertando para o que aí viria, mas os seus gritos soaram mudos às gentes portuguesas.
Lá no bairro o mais falado e admirado era aquele que tinha um bom transístor, com o qual reunia toda a vizinhança aos domingos, a fim de escutar os relatos de futebol. Quando já todos tinham um, de ultimo modelo, o mais célebre já era aquele que possuía uma televisão. E, quando já todos tinham uma, a criatura mais admirada era aquela que se deslocava de automóvel para o emprego, e com o qual durante o fim-de-semana levava toda a família a passear à terra. Não querendo perder o comboio da evolução, José Bonifácio, depois de tirar a carta de condução à quinta tentativa, assaltou as suas economias e adquiriu um volkswagen carocha, já com mais de dez anos de existência, o menino dos seus olhos.
Era um grande dia para a família Bonifácio, Jesus ia entrar para a escola para poder vir a ter um futuro brilhante, e José teria agora a sua grande oportunidade de exibir a sua nova aquisição, pelo bairro inteiro. Maria acordou o filho muito mais cedo do que o habitual, “Acorda filhote, hoje é o teu grande dia, aquele em que vais fazer parte deste mundo”. Jesus acordou e fitou a mãe, ainda estremunhado e de olhos esbugalhados, “ Porque me acordaste, mamã, ainda não há sol?” perguntou, madraço. “Para onde é que a mãe te disse, ontem, que tu ias?”, Jesus nada respondeu, limitando-se a olhar para a mãe pasmadamente. “Vais para a escola, aprenderes a ler e a escrever para vires a ser um grande homem!”
Triste, por saber que iria ter um dia diferente, deixando para trás as suas expedições pelo quintal lá de casa, longe de tudo o que tão bem conhecia, Jesus, lá se levantou contrariado, tropeçando nos brinquedos que estavam espalhados pelo chão do seu quarto. Maria vestiu o filho num abrir e fechar de olhos, levando-o de seguida para a cozinha, onde umas aloiradas torradas besuntadas de manteiga e um copo de leite quente o aguardavam. “ Jesus credo!”, exclamou Maria ao escutar a estridente buzina do carocha de José. “O que foi que eu fiz?” perguntou Jesus abismado e assustado pelo barulho ensurdecedor, “Não era para ti meu filho, estava-me a referir ao outro Jesus das nossas vidas, o nosso senhor do céu”, explicou confusa. “Não conheço o senhor, quem é?”, perguntou o menino, na inocência dos seus seis anos. “Deixa para lá, hás-de aprender isso na escola, agora despacha-te que o teu pai está à nossa espera, para te levar à escola.
Enquanto aguardava pela mulher e pelo filho, agarrado ao volante do seu estimado automóvel, estando este a queimar gasolina, José, grandemente embevecido respondia às perguntas da multidão de curiosos que se acercara de si, escutando também alguns comentários, uns agradáveis, outros não tanto; “Quantos quilómetros dá?”. “Gasta muito?”. “O teu é melhor de que o meu!”. “O meu bate este à distância!”. Entretanto Maria surgiu à janela, “Espera que já estamos quase despachados, o menino só está à acabar de comer”, José voltou a buzinar e disse: “Ele que coma pelo caminho, que daqui a menos de uma hora tenho que ter a oficina aberta!”. Maria colocou, nas costas da criança, a mochilinha que havia comprado no dia anterior com imenso carinho e arrastando o filho consigo saiu porta fora,”Ainda não acabei de comer!” queixou-se Jesus, “Anda vá, comes pelo caminho”.
Não querendo parecer uma desmazelada perante as futuras preceptoras de Jesus, Maria, aperaltou-se conforme as circunstâncias assim o exigiam, pintando os lábios e vestindo uma bonita saia de padrão axadrezado, que lhe dava pelos joelhos. Ao vê-la, as atenções da vizinhança, as quais estavam centradas no carocha de Bonifácio, dispersaram-se deste e centraram-se em si. “É lá!”, grunhiu um engraçadinho qualquer. “Parece ela que vai à igreja”, sibilou a Dona Adelaide aos ouvidos da Dona Gertrudes, que por sua vez disse: “Não queres uma florzinha para pôr no cabelo, filha?”. Antes que alguém dissesse o que não devesse, José voltou a buzinar, agora com impetuosidade, fazendo com que todos dessem um salto e desviassem o olhar na sua direcção. A deixa perfeita para que Maria e a criança entrassem na viatura. Uma vez dentro do automóvel, José fez o motor roncar e arrancou.
Maravilhado com tudo aquilo, Jesus, seguia viagem com o rosto afundado no vidro da janela, fitando com entusiasmo tudo o que surgia à sua volta. “Um dia ensino-te a conduzir, meu filho”, disse José, virando-se para trás para o olhar. “E se te preocupasses menos com isso e te concentrasses no que estas a fazer”, admoestou-o Maria, mas já tarde de mais, quando pôs de novo os olhos na estrada, José não conseguiu evitar o passeio e galgando o mesmo foi de encontro aos caixotes de peixe da Dona Etelvina, a qual costumava vender à entrada do pátio, espalhando o seu conteúdo pelo chão. “ És sempre a mesma coisa!”, exclamou Maria. “O que posso fazer por si, Dona Etelvina?” perguntou José, ao sair da viatura e depois de ter ouvido, da parte da peixeira uma medonha série de impropérios. “Já têm almoço para hoje?”, perguntou a peixeira com um sorriso cínico no rosto. “ Não, ainda não”, respondeu Maria“. “Sempre me podiam comprar algum peixe, para me minimizar os estragos”, sugeriu a mulher. Não querendo perder ali mais tempo, o casal comprou uma dúzia de sardinha, a qual fora apanhada directamente do chão para o saco. Enquanto isso, Jesus desatou a chorar, pois com o impacto havia dado um salto e batido com a fronte, nas costas do banco da frente. Procurando acalmar o filho, Maria colocou o peixe em cima do banco onde havia seguido até então e foi-se sentar ao lado do filho no banco detrás.
Com o receio de ter que fazer novamente uma paragem brusca, podendo magoar o filho, José seguiu a vinte quilómetros por hora, originando assim o primeiro buzinão da história do automóvel. Ainda não haviam descido a rua por completo, quando José se lembrou que o peixe poderia manchar o estofo do banco. Consequentemente, Maria retirou o peixe de onde estava, e ela mesmo o levou. Ao fazê-lo ficou numa posição menos imprópria, de rabo no ar, a modos que quem seguia atrás deles pôde apreciar as vistas. Ao ouvir um coro de vivas e mais buzinadelas, José, voltou a tirar os olhos da estrada para se inteirar do que se estava a passar, ao fazê-lo não se apercebeu do enorme cão que se lhe cruzou no caminho e atropelou-o. Jesus voltou a chorar e Maria saltou disparada para frente. “ E agora o que faço?” perguntou José, “ Isso é um problema que te cabe a ti, pois eu vou levar Jesus à escola, e a pé”, respondeu Maria.
Enquanto José se viu no centro de um autêntico tumulto, Maria pegou Jesus pela mão e apeada segui caminho, “Espera, já viste como estás, não podes aparecer na escola assim”, disse Bonifácio para a sua mulher, a qual furiosa o ignorou e continuou a andar, rua abaixo. “Porque não vamos com o pai?”, perguntou Jesus visivelmente confuso. “Porque é mais seguro, meu filho”, respondeu-lhe a mãe. Depois de descerem a rua, atravessaram o entroncamento e andando mais um pouco alcançaram um velho edifico, certamente erigido na primeira metade do século, de aspecto sombrio e decadente. “Eis a tua escola”, anunciou Maria. Jesus chorou de novo, sendo convencido pela mãe a entrar no edifício, só ao fim de uma hora e depois de comer dois bolos repletos de creme, comprados na pastelaria da esquina.
De novo junto à entrada do edifício, Maria tocou à campainha, a qual gerou um barulho ensurdecedor, e instantes depois tinha perante si a empregada de serviço daquela instituição, a balofa Dona Amélia, a qual trazia o seu bibe azul impregnado de nódoas e aparentava um ar extremamente enfadado, “Bom dia, minha senhora”, proferiu o mais simpaticamente que conseguiu. “Este é Jesus, já está tudo tratado com a patroa, volto às seis para o apanhar, a senhora já reparou nas nódoas que tem na bata?”, proferiu Maria. A Dona Amélia limitou-se a segurar Jesus pela mão, puxando-o para o interior do edifício e depois de esboçar um esgar de troça disse, muito educadamente: ”A senhora não tem espelhos, suponho!?”
Após desejar um bom dia ao filho, despedindo-se deste, intrigada Maria retirou o seu pequeno espelho da sua bolsa e mirou-se, não podendo, nem querendo acreditar no que via. Os seus cabelos estavam em tamanho desalinho que mais pareciam um ninho de ratos, a sua maquilhagem estava toda esborratada e a sua saia tinha uma enorme mancha de água, já para não comentar o cheiro a peixe que emanava da sua pessoa. “José Bonifácio, seu trapalhão, juro por Deus que vais estar mais de duas semanas a tentares abrir a porta de entrada”, pensou.
Depois de largar a mão de Jesus, a dona Amélia virou-se para ele e disse: ”Bem findo ao inferno!”. Longe de compreender o que lhe havia sido dito, Jesus apenas reparou na enorme verruga que a senhora tinha no queixo, após a fixar por instantes a criança olhou-a nos olhos, procurando encontrar algum conforto, mas o que viu desapontou-o. Aquela criatura horripilante sorria com desdém e o menino desatou novamente a chorar. “Bolas, mais um chorão!”, exclamou como sempre enfadada.
Instantes depois, a Dona Amélia depositou Jesus numa enorme sala fechada, cuja única janela para o exterior se encontrava trancada. O chão era pavimentado por cimento e, quatro paredes frias e húmidas delimitavam o recinto. Ali centenas de crianças gritavam histericamente, perseguindo-se umas às outras numa correria desenfreada. Jesus chorou mais uma vez. No meio de toda aquela loucura, sentadas num dos muitos bancos corridos que ali se achavam, encontrou entre todas aquelas crianças as únicas que lhe pareceram ser normais tal como ele. “Eu sou Jesus, e vocês como se chamam?”. A menina, lourinha e vesga, disse chamar-se Gloria. E o menino, gordinho e mandrião, disse chamar-se Joaquim.
Ao final do dia Maria telefonou a José, dizendo que não ia poder ir buscar o filho, pois encontrava-se no cabeleireiro e certamente ainda ia demorar. José não podendo, nem querendo fechar a oficina pediu à sua mãe, muito simpaticamente, se não se importava de ir buscar o neto à escola. “É com todo o gosto que o faço, meu filho, Jesus vai ter uma enorme surpresa”, disse a Dona Jorgete ao telefone.
Quando a porta da escola se abriu e Jesus avistou a avó Jorgete os seus olhos brilharam. E, quando a sua querida avó lhe perguntou o que havia feito naquele dia Jesus respondeu: “Hoje conheci o inferno, é um lugar frio e gélido repleto de criaturas feias e más, reneguei-o assim que lá entrei, mas para meu bem, lá também estão dois anjos que a todo o custo tentam salvar as almas perdidas. É bom saber que não estamos sós!”. A Dona Jorgete abriu a boca de pasmo, e ao fazê-lo deixou cair com aparato no chão a sua prótese dentária. Depois de colocar no seu devido lugar o objecto que havia deixado cair, disse: ”Deus te abençoe, meu filho!”
quinta-feira, 14 de julho de 2011
A lenda de São Vicente e dos Corvos
Em tempos muito antigos, quando o rei Rodrigo perdeu a batalha de Guadalete e os Mouros ocuparam a Península Ibérica e ordenaram que todas as igrejas fossem convertidas em mesquitas muçulmanas, os cristãos de Valência, entre eles um deão (decano), quiseram pôr a salvo o corpo do mártir S. Vicente que estava guardado numa igreja.

Com intenção de chegarem às Astúrias por barco, fizeram-se ao mar levando consigo o corpo do santo. Cruzaram o Mediterrâneo sem perigo, mas quando chegaram ao Atlântico o mar estava mais turbulento e foram forçados a aproximar-se da costa. Perguntaram então ao mestre da embarcação qual era aquela terra tão bela e aquele cabo que avistavam.
O mestre respondeu-lhes que a terra se chamava Algarve e que o cabo se chamava promontório Sacro. Foi então que os cristãos de Valência consideraram a hipótese de desembarcar, construir um templo em memória de S. Vicente e dar o nome do santo ao cabo mais ocidental, junto ao promontório de Sagres. Mas enquanto estavam nestas considerações, o barco encalhou, o que os forçou a passar ali a noite.
Na manhã seguinte, quando se preparavam para retomar viagem, avistaram um navio pirata. O mestre da embarcação propôs-lhes afastar-se com o navio para evitar a abordagem dos corsários, enquanto os cristãos se escondiam na praia com a sua relíquia. Depois viria buscá-los. Mas o barco nunca mais voltou e os cristãos ficaram naquele lugar, construíram o templo em memória de S. Vicente e formaram uma pequena aldeia à sua volta, isolados naquele lugar ermo.

Entretanto D. Afonso Henriques entrou em guerra com os mouros do Algarve e estes vingaram-se dos cristãos de S. Vicente, arrasando-lhes a aldeia e levando-os cativos. Passados cinquenta anos um cavaleiro veio avisar D. Afonso Henriques que existiam cativos cristãos entre os prisioneiros feitos numa batalha contra os Mouros.
Chamados à presença do rei, o deão, já muito velho, contou-lhe a sua história e confidenciou-lhe que tinham enterrado o corpo de S. Vicente num local secreto. Pedia ao rei que resgatasse o corpo do mártir para um local seguro. D. Afonso Henriques aproveitou um período de tréguas na sua luta contra os Mouros e zarpou num barco com o deão a caminho de S. Vicente.
Mas o deão morreu durante a viagem e sem saber o local exacto onde estava enterrado o santo, D. Afonso Henriques aproximou-se do cabo e das ruínas do antigo templo. Foi então que avistou um bando de corvos que sobrevoavam um certo lugar onde os seus homens escavaram e encontraram o sepulcro de S. Vicente, escondido na rocha.

Trouxeram o corpo de S. Vicente de barco para Lisboa e durante toda a viagem foram acompanhados por dois corvos, cuja imagem ainda hoje figura nas armas de Lisboa em testemunho desta história extraordinária.
Fonte:contosdeadormecer.wordpress.com

Com intenção de chegarem às Astúrias por barco, fizeram-se ao mar levando consigo o corpo do santo. Cruzaram o Mediterrâneo sem perigo, mas quando chegaram ao Atlântico o mar estava mais turbulento e foram forçados a aproximar-se da costa. Perguntaram então ao mestre da embarcação qual era aquela terra tão bela e aquele cabo que avistavam.
O mestre respondeu-lhes que a terra se chamava Algarve e que o cabo se chamava promontório Sacro. Foi então que os cristãos de Valência consideraram a hipótese de desembarcar, construir um templo em memória de S. Vicente e dar o nome do santo ao cabo mais ocidental, junto ao promontório de Sagres. Mas enquanto estavam nestas considerações, o barco encalhou, o que os forçou a passar ali a noite.
Na manhã seguinte, quando se preparavam para retomar viagem, avistaram um navio pirata. O mestre da embarcação propôs-lhes afastar-se com o navio para evitar a abordagem dos corsários, enquanto os cristãos se escondiam na praia com a sua relíquia. Depois viria buscá-los. Mas o barco nunca mais voltou e os cristãos ficaram naquele lugar, construíram o templo em memória de S. Vicente e formaram uma pequena aldeia à sua volta, isolados naquele lugar ermo.

Entretanto D. Afonso Henriques entrou em guerra com os mouros do Algarve e estes vingaram-se dos cristãos de S. Vicente, arrasando-lhes a aldeia e levando-os cativos. Passados cinquenta anos um cavaleiro veio avisar D. Afonso Henriques que existiam cativos cristãos entre os prisioneiros feitos numa batalha contra os Mouros.
Chamados à presença do rei, o deão, já muito velho, contou-lhe a sua história e confidenciou-lhe que tinham enterrado o corpo de S. Vicente num local secreto. Pedia ao rei que resgatasse o corpo do mártir para um local seguro. D. Afonso Henriques aproveitou um período de tréguas na sua luta contra os Mouros e zarpou num barco com o deão a caminho de S. Vicente.
Mas o deão morreu durante a viagem e sem saber o local exacto onde estava enterrado o santo, D. Afonso Henriques aproximou-se do cabo e das ruínas do antigo templo. Foi então que avistou um bando de corvos que sobrevoavam um certo lugar onde os seus homens escavaram e encontraram o sepulcro de S. Vicente, escondido na rocha.

Trouxeram o corpo de S. Vicente de barco para Lisboa e durante toda a viagem foram acompanhados por dois corvos, cuja imagem ainda hoje figura nas armas de Lisboa em testemunho desta história extraordinária.
Fonte:contosdeadormecer.wordpress.com
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segunda-feira, 23 de maio de 2011
Povos antigos
Os Espartanos

No sudoeste do Peloponeso estende-se um vale por onde correm as águas do ancestral rio Eurotas. A região, cercada de montanhas chamou-se noutros tempos, de Lacônia. Inicialmente foi habitada pelos pelasgos, depois foi invadida pelos aqueus e, por fim, conquistada pelos dórios.

Estes últimos fixaram o centro de sua atividade na cidade de Esparta. A hostilidade dos aqueus, vencidos mas não conformados, a influência do solo áspero, do clima e da própria situação geográfica, tornaram os espartanos, com o decorrer dos séculos num povo guerreiro.

Foram três os principais motivos que levaram os espartanos a praticarem guerras de conquista: A preocupação de abater qualquer outro Estado que, por seu poderio, constituísse ameaça ao país; A necessidade de outras terras para a população crescente; O desejo de aumentar o poderio militar que lhes era próprio, absorvendo novas tropas auxiliares ou aliadas.
A organização social espartana

A organização política e social de Esparta é atribuída a Licurgo, personagem lendária, que teria vivido no século IX a.C.
A população se compunha de três classes sociais: espaciatas, periecos e ilotas.
Os espaciatas também chamados espartanos eram descendentes dos antigos dórios e formavam a classe dos iguais, espécie de aristrocacia dominante. Os periecos integravam a classe formada pelos antigos aqueus que não foram despojados de suas pequenas propriedades; não tinham direitos políticos, mas gozavam de completa liberdade social e econômica. Os ilotas eram também aqueus, pertencentes, porém, aquela grande maioria que fora privada de seus haveres e reduzida a condições de trabalho humilde.
A organização política de Esparta

Esparta era governada em simultâneo por dois reis. Em época de guerra, somente um deles marchava para o combate.
O poder dos monarcas sofria, porém, limitações impostas pelos seguintes outros órgãos de governo:
I - A Gerúsia, câmara formada de cidadãos maiores de 60 anos, que redigia as leis a serem por todos obedecidas;
II - A Ápela, assembléia em que tomavam parte os maiores de 30 anos, com poderes para aceitar ou rejeitar as propostas da Gerúsia;
III - Os Éforos, conselheiros ou magistrados, em números de cinco, eleitos por um ano e com atribuições de convocarem as duas câmaras, de darem ordem a militares, de administrar justiça e de vigiar a vida particular dos adultos.
A educação espartana

A educação dos espartanos visava a fazer de cada indivíduo um soldado. O recém-nascido que apresentasse defeito para a vida militar era morto por ordem do Estado. Quando os meninos alcançavam os sete anos de idade, tornavam-se recrutas e passavam a fazer parte de uma pequena tropa que, sob as ordens de um monitor, praticavam diariamente exercícios atléticos e ginástica. Aos vinte anos, o jovem ingressava no exército, aos trinta, podia casar-se e participar da Ápela. A vida militar só findava quando o homem espartano chegava aos 60 anos de idade. Todos, mesmo os monarcas, antes dessa idade, eram obrigados a tomar parte nos exércitos militares, que, periodicamente, se levavam a efeito em tempos de paz.
A cultura intelectual foi quase nula em Esparta limitando-se ao ensino de poesias sagradas, a cantos de guerra e a uma eloqüência particular que devia expressar muitas coisas em poucas palavras. Chama-se lacónica a linguagem breve, concisa, sentenciosas, igual a que se falava na Lacónia.
As conquistas espartanas

Esparta manteve um exército adestrado de 30 mil homens de infantaria e 500 de cavalaria.
Proporcionalmente ao total da população , o número de soldados era excessivo, podendo se dizer que a lacônia era um quartel general e o povo espartano um exército. Vivendo exclusivamente para as glórias da guerra, foram os espartanos no dizer do historiador Xenofonte: "artistas da arte militar".
Com esse exército, Esparta dominou várias cidades do Peloponeso e com aquelas que não pode subjugar formou a famosa aliança que teve o nome de Liga do Peloponeso. No ano de 490 a.C., o poderio de Esparta era superior ao de todas a s cidades da Grécia. Esta fase teve o nome de Hegemonia espartana.
Guerra do Peloponeso

Conflito entre Atenas e Esparta, ocorrido entre 431 e 404 a.C.. Sua história foi detalhadamente registrada por Tucídides e Xenofonte. De acordo com Tucídides, a razão fundamental da guerra foi o crescimento do poder ateniense e o temor que o mesmo despertava entre os espartanos.
A cidade de Corinto foi especialmente atuante, pressionando Esparta a fim de que esta declarasse guerra contra Atenas. Esparta invadiu a Ática com seus aliados em 431 a.C., mas Péricles persuadiu os atenienses a se deslocarem para trás das 'longas muralhas' que ligavam Atenas a seu porto, o Pireu, e a evitar uma batalha em terra com o superior exército espartano. Atenas confiava em sua frota de trirremes para invadir o Peloponeso e proteger seu império e suas rotas comerciais, mas foi gravemente surpreendida pela deflagração da peste, em 430 a.C., que matou cerca de um terço da população, inclusive Péricles. Apesar disso, a frota teve boa performance e foi estabelecida uma trégua de um ano, em 423 a.C.. A Paz de Nícias foi concluída em 421 a.C., mas Alcibíades liderou um movimento de oposição a Esparta no Peloponeso; suas esperanças esvaneceram-se com a vitória de Esparta em Mantinéia, em 418 a.C..
Ele foi também o principal defensor de uma expedição à Sicília (415-3 a.C.), que visava derrotar Siracusa e que resultou em completo desastre para Atenas. A guerra foi formalmente retomada em 413 a.C.; a fortificação de Decélia, na Ática, pelos espartanos, e revoltas generalizadas entre seus aliados pressionaram Atenas, que havia perdido grande parte de sua frota na Sicília e estava falida e atormentada por convulsões políticas. Apesar disso e graças, em grande parte, a Alcibíades, a sorte de Atenas ressurgiu, com vitórias navais em Cinosema (411 a.C.), e Cícico (410 a.C.), e com a reconquista de Bizâncio (408 a.C.). Houve mais uma vitória em Arginuse, em 406 a.C.. A partir de então, o apoio financeiro da Pérsia a Esparta e as habilidades estratégicas e táticas do espartano Lisandro alterou a balança.
A vitória espartana em Egospótamos e seu controle do Helesponto subjugaram Atenas, pela fome, até a rendição, em abril de 404 a.C.. Seguiu-se imediatamente um golpe oligárquico, apoiado por Esparta, e o reino de terror da 'Tirania dos Trinta'. A democracia foi restabelecida em 403 a.C..
A batalha das Termópilas

Travada no contexto da Segunda Guerra Médica, decorreu no verão de 480 a.C., no desfiladeiro das Termópilas, na Grécia Central. Ali, de acordo com a tradição veiculada pelo historiador Heródoto de Halicarnasso, 300 espartanos sob o comando de seu rei Leónidas, enfrentaram centenas de milhares (historiadores não entram em acordo exato quanto ao número, que podia variar de uma ou duas centenas de milhares) de persas liderados por Xerxes, filho de Dario.(Diz-se que Leônidas, sabendo-se perdido, teria ordenado a retirada dos não-espartanos, e, com 300 compatriotas, teria combatido o colosso persa).

A grande disparidade numérica entre os combatentes levou a que a batalha terminasse, aparentemente, com uma vitória persa - muito embora os Gregos, antes de serem totalmente aniquilados, tenham conseguido infligir um elevado número de baixas e retardar consideravelmente o avanço dos Persas pela Grécia. A intervenção dos Gregos, para além de os levar a morrer como homens livres, e não como escravos persas, foi decisiva para o futuro do conflito, pois atrasou o avanço persa por três dias (apesar que o desejado fossem 10 dias), assim permitindo a salvação de Atenas e, por conseguinte, da nascente Civilização Ocidental.

Nota:Devido a um estilo de vida similar, os luistados chegaram a ser designados, por alguns historiadores classicos, de os espartanos da Peninsula Iberica.
Fontes:
http://greek.hp.vilabol.uol.com.br
http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_das_Term%C3%B3pilas

No sudoeste do Peloponeso estende-se um vale por onde correm as águas do ancestral rio Eurotas. A região, cercada de montanhas chamou-se noutros tempos, de Lacônia. Inicialmente foi habitada pelos pelasgos, depois foi invadida pelos aqueus e, por fim, conquistada pelos dórios.

Estes últimos fixaram o centro de sua atividade na cidade de Esparta. A hostilidade dos aqueus, vencidos mas não conformados, a influência do solo áspero, do clima e da própria situação geográfica, tornaram os espartanos, com o decorrer dos séculos num povo guerreiro.

Foram três os principais motivos que levaram os espartanos a praticarem guerras de conquista: A preocupação de abater qualquer outro Estado que, por seu poderio, constituísse ameaça ao país; A necessidade de outras terras para a população crescente; O desejo de aumentar o poderio militar que lhes era próprio, absorvendo novas tropas auxiliares ou aliadas.
A organização social espartana

A organização política e social de Esparta é atribuída a Licurgo, personagem lendária, que teria vivido no século IX a.C.
A população se compunha de três classes sociais: espaciatas, periecos e ilotas.
Os espaciatas também chamados espartanos eram descendentes dos antigos dórios e formavam a classe dos iguais, espécie de aristrocacia dominante. Os periecos integravam a classe formada pelos antigos aqueus que não foram despojados de suas pequenas propriedades; não tinham direitos políticos, mas gozavam de completa liberdade social e econômica. Os ilotas eram também aqueus, pertencentes, porém, aquela grande maioria que fora privada de seus haveres e reduzida a condições de trabalho humilde.
A organização política de Esparta

Esparta era governada em simultâneo por dois reis. Em época de guerra, somente um deles marchava para o combate.
O poder dos monarcas sofria, porém, limitações impostas pelos seguintes outros órgãos de governo:
I - A Gerúsia, câmara formada de cidadãos maiores de 60 anos, que redigia as leis a serem por todos obedecidas;
II - A Ápela, assembléia em que tomavam parte os maiores de 30 anos, com poderes para aceitar ou rejeitar as propostas da Gerúsia;
III - Os Éforos, conselheiros ou magistrados, em números de cinco, eleitos por um ano e com atribuições de convocarem as duas câmaras, de darem ordem a militares, de administrar justiça e de vigiar a vida particular dos adultos.
A educação espartana

A educação dos espartanos visava a fazer de cada indivíduo um soldado. O recém-nascido que apresentasse defeito para a vida militar era morto por ordem do Estado. Quando os meninos alcançavam os sete anos de idade, tornavam-se recrutas e passavam a fazer parte de uma pequena tropa que, sob as ordens de um monitor, praticavam diariamente exercícios atléticos e ginástica. Aos vinte anos, o jovem ingressava no exército, aos trinta, podia casar-se e participar da Ápela. A vida militar só findava quando o homem espartano chegava aos 60 anos de idade. Todos, mesmo os monarcas, antes dessa idade, eram obrigados a tomar parte nos exércitos militares, que, periodicamente, se levavam a efeito em tempos de paz.
A cultura intelectual foi quase nula em Esparta limitando-se ao ensino de poesias sagradas, a cantos de guerra e a uma eloqüência particular que devia expressar muitas coisas em poucas palavras. Chama-se lacónica a linguagem breve, concisa, sentenciosas, igual a que se falava na Lacónia.
As conquistas espartanas

Esparta manteve um exército adestrado de 30 mil homens de infantaria e 500 de cavalaria.
Proporcionalmente ao total da população , o número de soldados era excessivo, podendo se dizer que a lacônia era um quartel general e o povo espartano um exército. Vivendo exclusivamente para as glórias da guerra, foram os espartanos no dizer do historiador Xenofonte: "artistas da arte militar".
Com esse exército, Esparta dominou várias cidades do Peloponeso e com aquelas que não pode subjugar formou a famosa aliança que teve o nome de Liga do Peloponeso. No ano de 490 a.C., o poderio de Esparta era superior ao de todas a s cidades da Grécia. Esta fase teve o nome de Hegemonia espartana.
Guerra do Peloponeso

Conflito entre Atenas e Esparta, ocorrido entre 431 e 404 a.C.. Sua história foi detalhadamente registrada por Tucídides e Xenofonte. De acordo com Tucídides, a razão fundamental da guerra foi o crescimento do poder ateniense e o temor que o mesmo despertava entre os espartanos.
A cidade de Corinto foi especialmente atuante, pressionando Esparta a fim de que esta declarasse guerra contra Atenas. Esparta invadiu a Ática com seus aliados em 431 a.C., mas Péricles persuadiu os atenienses a se deslocarem para trás das 'longas muralhas' que ligavam Atenas a seu porto, o Pireu, e a evitar uma batalha em terra com o superior exército espartano. Atenas confiava em sua frota de trirremes para invadir o Peloponeso e proteger seu império e suas rotas comerciais, mas foi gravemente surpreendida pela deflagração da peste, em 430 a.C., que matou cerca de um terço da população, inclusive Péricles. Apesar disso, a frota teve boa performance e foi estabelecida uma trégua de um ano, em 423 a.C.. A Paz de Nícias foi concluída em 421 a.C., mas Alcibíades liderou um movimento de oposição a Esparta no Peloponeso; suas esperanças esvaneceram-se com a vitória de Esparta em Mantinéia, em 418 a.C..
Ele foi também o principal defensor de uma expedição à Sicília (415-3 a.C.), que visava derrotar Siracusa e que resultou em completo desastre para Atenas. A guerra foi formalmente retomada em 413 a.C.; a fortificação de Decélia, na Ática, pelos espartanos, e revoltas generalizadas entre seus aliados pressionaram Atenas, que havia perdido grande parte de sua frota na Sicília e estava falida e atormentada por convulsões políticas. Apesar disso e graças, em grande parte, a Alcibíades, a sorte de Atenas ressurgiu, com vitórias navais em Cinosema (411 a.C.), e Cícico (410 a.C.), e com a reconquista de Bizâncio (408 a.C.). Houve mais uma vitória em Arginuse, em 406 a.C.. A partir de então, o apoio financeiro da Pérsia a Esparta e as habilidades estratégicas e táticas do espartano Lisandro alterou a balança.
A vitória espartana em Egospótamos e seu controle do Helesponto subjugaram Atenas, pela fome, até a rendição, em abril de 404 a.C.. Seguiu-se imediatamente um golpe oligárquico, apoiado por Esparta, e o reino de terror da 'Tirania dos Trinta'. A democracia foi restabelecida em 403 a.C..
A batalha das Termópilas

Travada no contexto da Segunda Guerra Médica, decorreu no verão de 480 a.C., no desfiladeiro das Termópilas, na Grécia Central. Ali, de acordo com a tradição veiculada pelo historiador Heródoto de Halicarnasso, 300 espartanos sob o comando de seu rei Leónidas, enfrentaram centenas de milhares (historiadores não entram em acordo exato quanto ao número, que podia variar de uma ou duas centenas de milhares) de persas liderados por Xerxes, filho de Dario.(Diz-se que Leônidas, sabendo-se perdido, teria ordenado a retirada dos não-espartanos, e, com 300 compatriotas, teria combatido o colosso persa).

A grande disparidade numérica entre os combatentes levou a que a batalha terminasse, aparentemente, com uma vitória persa - muito embora os Gregos, antes de serem totalmente aniquilados, tenham conseguido infligir um elevado número de baixas e retardar consideravelmente o avanço dos Persas pela Grécia. A intervenção dos Gregos, para além de os levar a morrer como homens livres, e não como escravos persas, foi decisiva para o futuro do conflito, pois atrasou o avanço persa por três dias (apesar que o desejado fossem 10 dias), assim permitindo a salvação de Atenas e, por conseguinte, da nascente Civilização Ocidental.

Nota:Devido a um estilo de vida similar, os luistados chegaram a ser designados, por alguns historiadores classicos, de os espartanos da Peninsula Iberica.
Fontes:
http://greek.hp.vilabol.uol.com.br
http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_das_Term%C3%B3pilas
Sabia que..?

...se grita-se durante 8 anos , 7 meses e 5 dias consecutivos, iria produzir energia sonora suficiente para aquecer uma chávena de café.

... se liberta-se gases constantemente durante 6 anos e 9 meses, teria produzido gás suficiente para criar a energia de uma bomba atómica.

... o sol liberta mais energia num segundo do que toda aquela que a humanidade já consumiu em toda a sua existência.

... os relâmpagos matam mais seres humanos do que a erupções vulcânicas, os furacões e os terremotos.

... os astronautas não podem comer feijão antes de suas viagens, pois os gases provocados durante a sua digistão podem danificar os fatos espaciais.
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
Povos antigos
Os vikings
Os vikings são uma antiga civilização originária da região da Escandinávia, que hoje compreende o território de três países europeus: a Suécia, a Dinamarca e a Noruega. Igualmente conhecidos como nórdicos ou normandos, eles estabeleceram uma rica cultura que se desenvolveu graças à atividade agrícola, o artesanato e um notável comércio marítimo.

A vida voltada para os mares também estabeleceu a pirataria como outra importante atividade econômica. Em várias incursões realizadas pela Europa Continental, os vikings saquearam e conquistaram terras, principalmente na região da Bretanha, que hoje abriga do Reino Unido. Cronologicamente, a civilização viking alcançou seu auge entre os séculos VIII e XI.

O processo de invasão à Bretanha aconteceu nos fins do século VIII. No ano de 865, um poderoso exército de vikings dinamarqueses empreendeu uma guerra que resultou na conquista de grande parte das terras britânicas. Com isso, observamos a consolidação do Danelaw, um extenso território viking que englobava as regiões Centro-norte e Leste da Bretanha. Na mesma época, os vikings continuaram sua expansão em terras escocesas.

As habitações dos vikings eram bastante simples. Madeira, pedras e relva seca eram os principais elementos utilizados na construção das residências. Além disso, observamos que a distribuição espacial do lar era bem simples, tendo, muitas vezes, a presença de um único cômodo. Nas famílias um pouco mais abastadas, observamos a presença uma divisão mais complexa composta por salas, cozinha e quartos.

Em razão das baixas temperaturas, os vikings tinham a expressa necessidade de uma vestimenta que pudesse suportar as baixas temperaturas do norte europeu. Geralmente, combinavam peças de tecido com couro e peles grossas que pudessem manter o seu corpo aquecido. Além disso, podemos ainda destacar que toda a população apreciava a utilização de acessórios em metal e pedra.

A organização familiar viking tinha claros traços patriarcais, sendo o homem o grande responsável pela defesa da família e a realização das principais atividades econômicas. Dedicada aos domínios domésticos, a mulher era responsável pela preparação dos alimentos e também auxiliava em pequenas tarefas cotidianas. A educação das crianças era delegada aos pais, sendo eles que repassavam as tradições e ofícios vikings.

O rei era a principal autoridade política entre os vikings. Logo em seguida, os condes e chefes tribais também desfrutavam de grande prestígio e poder de mando entre a população. O poder de decisão entre os locais tinha certa presença entre os vikings. Reunidos ao ar livre, discutiam a elaboração de suas leis próprias e as punições a serem deferidas contra os criminosos.

Na esfera religiosa, os vikings eram portadores de uma rica mitologia povoada por vários deuses sistematicamente adorados em eventos coletivos. Várias histórias envolvem a luta entre os deuses nórdicos ou o conflito entre as divindades e os gigantes. Odin era adorado como “o Deus dos deuses”. Thor era a divindade de maior popularidade e tinha poder sobre os céus e protegia povo viking.

Com o processo de cristianização da Europa, ao longo da Idade Média, os vikings foram paulatinamente convertidos a essa nova religião. A dissolução da cultura viking acontece entre os séculos XI e XII. Os vários conflitos contra os ingleses e os nobres da Normandia estabeleceram a desintegração desta civilização, que ainda se encontra manifesta em algumas manifestações da cultura europeia.
Os vikings são uma antiga civilização originária da região da Escandinávia, que hoje compreende o território de três países europeus: a Suécia, a Dinamarca e a Noruega. Igualmente conhecidos como nórdicos ou normandos, eles estabeleceram uma rica cultura que se desenvolveu graças à atividade agrícola, o artesanato e um notável comércio marítimo.

A vida voltada para os mares também estabeleceu a pirataria como outra importante atividade econômica. Em várias incursões realizadas pela Europa Continental, os vikings saquearam e conquistaram terras, principalmente na região da Bretanha, que hoje abriga do Reino Unido. Cronologicamente, a civilização viking alcançou seu auge entre os séculos VIII e XI.

O processo de invasão à Bretanha aconteceu nos fins do século VIII. No ano de 865, um poderoso exército de vikings dinamarqueses empreendeu uma guerra que resultou na conquista de grande parte das terras britânicas. Com isso, observamos a consolidação do Danelaw, um extenso território viking que englobava as regiões Centro-norte e Leste da Bretanha. Na mesma época, os vikings continuaram sua expansão em terras escocesas.

As habitações dos vikings eram bastante simples. Madeira, pedras e relva seca eram os principais elementos utilizados na construção das residências. Além disso, observamos que a distribuição espacial do lar era bem simples, tendo, muitas vezes, a presença de um único cômodo. Nas famílias um pouco mais abastadas, observamos a presença uma divisão mais complexa composta por salas, cozinha e quartos.

Em razão das baixas temperaturas, os vikings tinham a expressa necessidade de uma vestimenta que pudesse suportar as baixas temperaturas do norte europeu. Geralmente, combinavam peças de tecido com couro e peles grossas que pudessem manter o seu corpo aquecido. Além disso, podemos ainda destacar que toda a população apreciava a utilização de acessórios em metal e pedra.

A organização familiar viking tinha claros traços patriarcais, sendo o homem o grande responsável pela defesa da família e a realização das principais atividades econômicas. Dedicada aos domínios domésticos, a mulher era responsável pela preparação dos alimentos e também auxiliava em pequenas tarefas cotidianas. A educação das crianças era delegada aos pais, sendo eles que repassavam as tradições e ofícios vikings.

O rei era a principal autoridade política entre os vikings. Logo em seguida, os condes e chefes tribais também desfrutavam de grande prestígio e poder de mando entre a população. O poder de decisão entre os locais tinha certa presença entre os vikings. Reunidos ao ar livre, discutiam a elaboração de suas leis próprias e as punições a serem deferidas contra os criminosos.

Na esfera religiosa, os vikings eram portadores de uma rica mitologia povoada por vários deuses sistematicamente adorados em eventos coletivos. Várias histórias envolvem a luta entre os deuses nórdicos ou o conflito entre as divindades e os gigantes. Odin era adorado como “o Deus dos deuses”. Thor era a divindade de maior popularidade e tinha poder sobre os céus e protegia povo viking.

Com o processo de cristianização da Europa, ao longo da Idade Média, os vikings foram paulatinamente convertidos a essa nova religião. A dissolução da cultura viking acontece entre os séculos XI e XII. Os vários conflitos contra os ingleses e os nobres da Normandia estabeleceram a desintegração desta civilização, que ainda se encontra manifesta em algumas manifestações da cultura europeia.
O som das baleias
Os sons que se ouvem debaixo de água não são, afinal, muito diferentes dos que se ouvem à superfície e alguns dos que são emitidos pelas baleias até parecem os de animais terrestres bem conhecidos, escreve a Lusa.

Esta é uma das curiosidades de um estudo conduzido pela bióloga marinha Mónica Silva que o Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores está a realizar com o recurso a hidrofones fixos colocados no fundo mar.
«É surpreendente perceber que os animais marinhos têm sons que são familiares ao ouvido humano, porque são semelhantes aos sons de animais terrestres», afirmou a investigadora em declarações à Lusa, acrescentando que este fenómeno é «quase inexplicável».
As gravações permanentes recolhidas através dos hidrofones permitiram perceber que há baleias que produzem sons semelhantes a rãs, aves marinhas ou até mesmo a vacas ou porcos, enquanto outras emitem sons parecidos com trombones ou apitos de grandes navios.
Esta curiosidade está, no entanto, longe de ser o objectivo principal do trabalho realizado pelos investigadores do DOP, que estão mais interessados em obter dados científicos a partir do que conseguem recolher.
Segundo Mónica Silva, o processamento de todos estes sons ajuda os cientistas a encontrar os padrões que lhes interessa estudar sobre os animais, nomeadamente quais os tipo de baleias que passam pelos Açores e quais os seus comportamentos.
«Queremos também perceber qual a importância dos Açores para a ecologia destas espécies», frisou a investigadora, lembrando que nem todas as baleias emitem sons com a mesma finalidade.
Os golfinhos e os cachalotes, um dos cetáceos mais comum nos Açores, emitem sons para comunicar, mas também para descobrir as suas presas e até como meio de orientação no fundo do mar.
Os quatro aparelhos que o DOP colocou no fundo do mar em diferentes zonas do arquipélago, não recolhem apenas os sons das baleias, registam também os ruídos provocados pelas embarcações e até mesmo os sons causados por um sismo.

Esta é uma das curiosidades de um estudo conduzido pela bióloga marinha Mónica Silva que o Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores está a realizar com o recurso a hidrofones fixos colocados no fundo mar.
«É surpreendente perceber que os animais marinhos têm sons que são familiares ao ouvido humano, porque são semelhantes aos sons de animais terrestres», afirmou a investigadora em declarações à Lusa, acrescentando que este fenómeno é «quase inexplicável».
As gravações permanentes recolhidas através dos hidrofones permitiram perceber que há baleias que produzem sons semelhantes a rãs, aves marinhas ou até mesmo a vacas ou porcos, enquanto outras emitem sons parecidos com trombones ou apitos de grandes navios.
Esta curiosidade está, no entanto, longe de ser o objectivo principal do trabalho realizado pelos investigadores do DOP, que estão mais interessados em obter dados científicos a partir do que conseguem recolher.
Segundo Mónica Silva, o processamento de todos estes sons ajuda os cientistas a encontrar os padrões que lhes interessa estudar sobre os animais, nomeadamente quais os tipo de baleias que passam pelos Açores e quais os seus comportamentos.
«Queremos também perceber qual a importância dos Açores para a ecologia destas espécies», frisou a investigadora, lembrando que nem todas as baleias emitem sons com a mesma finalidade.
Os golfinhos e os cachalotes, um dos cetáceos mais comum nos Açores, emitem sons para comunicar, mas também para descobrir as suas presas e até como meio de orientação no fundo do mar.
Os quatro aparelhos que o DOP colocou no fundo do mar em diferentes zonas do arquipélago, não recolhem apenas os sons das baleias, registam também os ruídos provocados pelas embarcações e até mesmo os sons causados por um sismo.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Fungo que provoca a quitridiomicose
A quitridiomicose é, a par da destruição de habitat, a mais importante ameaça à sobrevivência das populações de anfíbios, que constituem o grupo de vertebrados terrestres em situação mais crítica, com 1/3 das espécies em risco de extinção.A quitridiomicose danifica o processo de transferência de electrólitos através da pele, causando desequilíbrios que conduzem a uma paragem cardíaca. Resta saber exactamente como o fenómeno se processa para desenvolver uma cura.
O fungo que provoca a quitridiomicose foi identificado pela primeira vez há 10 anos e actualmente afecta anfíbios nos 5 continentes, tendo já causado algumas extinções. Embora haja algumas teorias sobre como é que o fungo debilita o organismo dos anfíbios o seu mecanismo de actuação permanece por desvendar, tornando difícil o combate a esta ameaça à sobrevivência dos anfíbios.
No entanto, um grupo de cientistas maioritariamente australianos, levou a cabo um estudo com rãs afectadas pela micose que obteve resultados elucidativos, embora seja necessário estudar outras espécies para confirmar as descobertas.
Os investigadores analisaram amostras de pele de rãs verdes arborícolas infectadas pelo fungo tendo concluído que a passagem de electrólitos como o sódio e o potássio se encontrava danificada, com os animais doentes a registarem níveis de potássio equivalentes a metade do normal.
Este desequilíbrio é em humanos, causa potencial de paragem cardíaca e, de facto, os electrocardiogramas realizados a rãs verdes arborícolas doentes umas horas antes da sua morte revelavam alterações no ritmo cardíaco, culminando com paragem. Por outro lado, a administração de medicamentos que restauram o equilíbrio de electrólitos resultou numa melhoria temporária. Parece assim ser que o fungo da quitridiomicose causa um desequilíbrio electrolítico que acaba por afectar o coração.
O próximo passo é descobrir como exactamente é que o fungo Batrachochytrium dendrobatidis causa este desequilíbrio nos níveis de sódio para poder desenvolver uma “cura”. Alguns estudos sugerem que alguns anfíbios possuem na sua pele bactérias que lhes conferem protecção por isso pode ser que o estudo do modo actuação da Batrachochytrium dendrobatidis facilite a identificação dessas bactérias.
Fonte: Naturlink
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segunda-feira, 21 de março de 2011
Astróide 2011 CQ1
Na primeira sexta-feira do mês de Fevereiro deste ano, dia 04, um pequeno astróide até então desconhecido passou pela Terra, a uma distância 7 vezes mais próxima que a distância que vai do nosso planeta à Lua. Segundo a NASA, o 2011 CQ1, com cerca de um metro de diâmetro, passou apenas a 5.480 quilômetros da superfície do planeta. Se este objecto celestial caísse na Terra seria em pleno oceano, o que causaria um valente Tsunami. A luz por si emitida foi tão reluzente que em certos locais do planeta o seu rastro foi observado a olho nu.
Povos antigos
Os lusitanos
Eram um povo celtibérico que viveu na parte ocidental da Península Ibérica. Primeiramente, uma única tribo que vivia entre os rios Douro e Tejo ou Tejo e Guadiana. Ao norte do Douro limitavam com os galaicos e astures - que constituem a maior parte dos habitantes do norte de Portugal - na província romana de Galécia, ao sul com os béticos e ao oeste com os celtiberos na área mais central da Hispânia Tarraconense.

A figura mais notável entre os lusitanos foi Viriato, um dos seus líderes no combate aos romanos. Apesar de as fronteiras da Lusitânia não coincidirem perfeitamente com as de Portugal de hoje, os povos que aqui habitaram são uma das bases etnológicas dos portugueses do centro e sul e também dos extremenhos (da Extremadura espanhola).

Na sua grande maioria, os lusitanos, eram gentes nómadas que vagueavam sem rumo pelas fragas e montes. Subsistindo da pastorícia e de tudo aquilo que a natureza lhes proporcionava. De onde proveram ninguém sabe ao certo, no entanto há quem diga que faziam parte integrante da sua terra, tal como os rios e as serras que a cruzam, tendo-se congregado à posterior com gentes forasteiras oriundas do centro da Europa, as quais nutriam fortes ligações com a cultura celta de La Tène.

Eram excelentes cavaleiros, os seus passatempos preferidos eram a musica, a dança e, acima de tudo as provas de destreza física, as quais os preparavam para fazer a guerra com os povos vizinhos. Através da qual punham à prova a sua bravura. Possuíam uma cultura muito própria, a célebre cultura do javali, a qual distinguia a sua etnia das demais. Idolatravam Deuses poderosos e únicos.

Na montanha a liberdade era absoluta, e a companhia dos Deuses reconfortante. O seu modo de vida era muito austero, mas a pureza da serra e tudo o que a ela é inerente purificava-lhes a alma e enobrecia-lhes o coração, fazendo com que se desembaraçassem com facilidade da cupidez e das suas iniquidades, tornando-nos assim unos com os Deuses. Contudo, com a chegada dos Fenícios ao sul da península e com o estabelecimento de vários postos mercantis tudo mudou. Os forasteiros trouxeram o bronze, já mais tarde o ferro, e também os iniciaram no cultivo da terra, brindando-os assim com uma ténue brisa daquele que era o mundo civilizado da época.

Consequentemente, sob a regência dos clãs mais influentes e mais abastados surgiram por toda a parte dentro dos seus domínios vários povoados castrejos, nos quais se concentrou o seu parco poder, quer politico quer económico. Os desterrados e menos abastados, os quais permaneceram fiéis ao nomadismo, nos Invernos de maior escassez apenas com o intento de subsistir, tinham o mau hábito de se organizarem em numerosos bandos e de descer a montanha a fim de empreenderem bravas campanhas às povoações mais abastadas, situadas a sul. Tendo como principal objectivo a depredação, dividindo à posterior os despojos por todos.

Os três Deuses principais dos Lusitanos (incluindo o par divino) eram:
ARENCIA (ARENTIA, ARANTIA, ARENGIA) – Deusa guerreira Lusitana, ela representa a vitória dos que lutam pelo seu povo. Ela é a esposa de Arencio, e é representada por uma égua.

ARENCIO (ARENGIOTANGINAECO, ARENTIO, ARENTIUS, ARANTIO) – Deus da Guerra e nacional dos Lusitanos. Representa a força. Juntamente com sua esposa, a Deusa Arencia, formam o par divino principal dos Lusitanos.
QUANGEIO (QUANGEIUS, KUANIKIO)– Deus criador, da fertilidade, dos campos e protector dos animais. É o terceiro Deus mais importante do Panteão nacional dos Lusitanos

TREBARUNA (TREBARUNE, TRIBORUNIS, TRIBORUNNI, TRIBARONA) – Deusa Guerreira e Protectora dos heróis, é também a Protectora da propriedade, do Lar e das Famílias. É a divindade feminina mais importante do Panteão Lusitano, esposa de Brigo, Ela é a Deusa lunar e do destino.
Eram um povo celtibérico que viveu na parte ocidental da Península Ibérica. Primeiramente, uma única tribo que vivia entre os rios Douro e Tejo ou Tejo e Guadiana. Ao norte do Douro limitavam com os galaicos e astures - que constituem a maior parte dos habitantes do norte de Portugal - na província romana de Galécia, ao sul com os béticos e ao oeste com os celtiberos na área mais central da Hispânia Tarraconense.

A figura mais notável entre os lusitanos foi Viriato, um dos seus líderes no combate aos romanos. Apesar de as fronteiras da Lusitânia não coincidirem perfeitamente com as de Portugal de hoje, os povos que aqui habitaram são uma das bases etnológicas dos portugueses do centro e sul e também dos extremenhos (da Extremadura espanhola).

Na sua grande maioria, os lusitanos, eram gentes nómadas que vagueavam sem rumo pelas fragas e montes. Subsistindo da pastorícia e de tudo aquilo que a natureza lhes proporcionava. De onde proveram ninguém sabe ao certo, no entanto há quem diga que faziam parte integrante da sua terra, tal como os rios e as serras que a cruzam, tendo-se congregado à posterior com gentes forasteiras oriundas do centro da Europa, as quais nutriam fortes ligações com a cultura celta de La Tène.

Eram excelentes cavaleiros, os seus passatempos preferidos eram a musica, a dança e, acima de tudo as provas de destreza física, as quais os preparavam para fazer a guerra com os povos vizinhos. Através da qual punham à prova a sua bravura. Possuíam uma cultura muito própria, a célebre cultura do javali, a qual distinguia a sua etnia das demais. Idolatravam Deuses poderosos e únicos.

Na montanha a liberdade era absoluta, e a companhia dos Deuses reconfortante. O seu modo de vida era muito austero, mas a pureza da serra e tudo o que a ela é inerente purificava-lhes a alma e enobrecia-lhes o coração, fazendo com que se desembaraçassem com facilidade da cupidez e das suas iniquidades, tornando-nos assim unos com os Deuses. Contudo, com a chegada dos Fenícios ao sul da península e com o estabelecimento de vários postos mercantis tudo mudou. Os forasteiros trouxeram o bronze, já mais tarde o ferro, e também os iniciaram no cultivo da terra, brindando-os assim com uma ténue brisa daquele que era o mundo civilizado da época.

Consequentemente, sob a regência dos clãs mais influentes e mais abastados surgiram por toda a parte dentro dos seus domínios vários povoados castrejos, nos quais se concentrou o seu parco poder, quer politico quer económico. Os desterrados e menos abastados, os quais permaneceram fiéis ao nomadismo, nos Invernos de maior escassez apenas com o intento de subsistir, tinham o mau hábito de se organizarem em numerosos bandos e de descer a montanha a fim de empreenderem bravas campanhas às povoações mais abastadas, situadas a sul. Tendo como principal objectivo a depredação, dividindo à posterior os despojos por todos.

Os três Deuses principais dos Lusitanos (incluindo o par divino) eram:
ARENCIA (ARENTIA, ARANTIA, ARENGIA) – Deusa guerreira Lusitana, ela representa a vitória dos que lutam pelo seu povo. Ela é a esposa de Arencio, e é representada por uma égua.

ARENCIO (ARENGIOTANGINAECO, ARENTIO, ARENTIUS, ARANTIO) – Deus da Guerra e nacional dos Lusitanos. Representa a força. Juntamente com sua esposa, a Deusa Arencia, formam o par divino principal dos Lusitanos.
QUANGEIO (QUANGEIUS, KUANIKIO)– Deus criador, da fertilidade, dos campos e protector dos animais. É o terceiro Deus mais importante do Panteão nacional dos Lusitanos

TREBARUNA (TREBARUNE, TRIBORUNIS, TRIBORUNNI, TRIBARONA) – Deusa Guerreira e Protectora dos heróis, é também a Protectora da propriedade, do Lar e das Famílias. É a divindade feminina mais importante do Panteão Lusitano, esposa de Brigo, Ela é a Deusa lunar e do destino.
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